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Gabriela Vieira:

Natural do Rio de Janeiro, mais precisamente Araras, um vale na serra de Petrópolis. Geminiana. Botafoguense com muito orgulho, lançada no mundo com 17 anos, quando comecei minha carreira como modelo. Desde então cigana, curiosa por natureza, apaixonada por viagens, culturas diversas, línguas, culinária e até um pouco de moda... Atualmente vivendo em Nova York, mas sabe se lá até quando... 

  • Gabriela Vieira

Um Fim-de-Semana em Cuba


Desde sempre tive grande fascínio e curiosidade sobre Cuba, logo, assim que foi feito o anúncio histórico sobre voos diretos entre os Estados Unidos e Havana, prontamente fomos nós achar nosso lugar na janelinha!

Há menos de três horas voando de NY, este é um destino perfeito pra um fim-de-semana prolongado - quando se mora por aqui.

Assim que se desce no aeroporto já começam os choques culturais e visuais de uma volta ao passado (além do choque térmico de quando se sai de 2ºC pra 27ºC).


No caminho até o centro, além dos carros antigos - reflexo do embargo norte-americano - os símbolos de um país revolucionário e seus heróis vão surgindo.


Ficamos hospedados em uma casa particular (Bed and Breakfast) na divisa dos bairros Havana Vieja e Havana Centro (leia todas as informações importantes no fim deste post), localização perfeita pra já começar explorando a cidade.




A arquitetura de Havana já é uma atração turística por si só, uma mistura linda e colorida onde se vêem os estilos colonial espanhol, art deco, barroco e art nouveau.

Vamos a uma resumida história de Cuba:

Colombo chegou a essa área da américa central em 1492 e logo a pequena ilha se transformou em um dos primeiros passos no processo de colonização hispânico que tomaria o restante do continente.

O domínio espanhol sobre Cuba durou quatro séculos e nos últimos anos muitos eram os descontentes. Embora a escravidão tivesse sido abolida, a situação dos negros e mulatos na colônia eram deploráveis. Foi em 1895 que o herói nacional José Martí finalmente conseguiu unificar os interesses populares e a independência veio somente em 1898 quando os Estados Unidos - já de olho das belezas naturais da ilha, a qual era a principal produtora mundial de açúcar - entrou na briga com a Espanha.

Após ter sido derrotada pela invasão americana a Cuba, a Espanha assinou com os Estados Unidos o Tratado de Paris que pôs fim à dominação espanhola na ilha e no ano seguinte, os Estados Unidos estabeleceram um governo militar na mesma, mantendo sua ocupação militar por 4 anos.

Foi somente em 1902 que a frágil republica de Cuba foi realmente criada, porém, no ano anterior, o governo norte-americano, tinha convencido a Assembléia Constituinte cubana a incorporar um apêndice à Constituição. A Emenda Platt, concedia aos Estados Unidos o direito de intervir nos assuntos internos da nova república, negando à ilha, a condição jurídica de nação soberana e sua independência de fato por 58 anos.

Mesmo com a independência, as condições dos menos desfavorecidos não melhorava, pois os interesses da oligarquia dominante continuavam prevalecendo, e Cuba era totalmente dominada pelos Estados Unidos. Foi então que no dia 1 de Janeiro de 1959 o Exército Rebelde dirigido pelo seu Comandante, Fidel Castro, derrotou o governo do general Batista, coligado norte-americano.

É a partir desse momento que o país obtêm sua total e definitiva independência em relação aos EUA. Atualmente, Cuba é o único país socialista do Ocidente e um dos poucos no mundo. Em 2008 Fidel passou os poderes para seu irmão Raul que desde então tem tomado medidas econômicas mais liberais.

Em dezembro de 2014, os presidentes Barack Obama e Raúl Castro anunciaram a retomada das relações entre Cuba e Estados Unidos, dando fim a 53 anos de afastamento entre as duas nações.

1º Dia:

Continuando...saímos em busca de almoço vespertino percorrendo a Paseo de Martí, mais conhecida como Prado, uma avenida larga arborizada que abrange inúmeros belos edifícios e se estende do Malecón - a famosa avenida a Beira mar - ao Capitólio.



Passamos pelo belíssimo Hotel Inglaterra onde havia uma orquestra tocando do lado de fora; e logo ao lado, no Gran Teatro de La Habana havia um cartaz para apresentação da noite, o Quebra-Nozes, com a Orquestra Sinfônica e Ballet Nacionais pela bagatela de 30 cup (30usd).

No impulso, ticket comprado!



O belo Capitólio - em reforma - semelhante ao edifício de Washington mas inspirado na cúpula do Panteão de Paris, foi sede do governo logo após a revolução e hoje funciona como sede da Academia de Ciências.


Adentrando novamente Habana Vieja, pela rua teniente Rey, mergulhamos no dia a dia descontraído e animado dos cubanos e me senti voltando a minha infância. Crianças brincando na rua, vizinhos conversando entre si - e entre varandas.


Logo chegamos ao Café e galeria El Dandy um dos meus locais preferidos da viagem, salpicado de fotografias pelas paredes e livros interessantíssimos - como um álbum de figurinhas da revolução.



De lá saímos em busca do pôr-do-sol no rooftop do elegante e tradicional Hotel Ambos Mundos, famoso por ter sido uma das moradias do escritor americano Ernest Hemingway quando em Cuba.



A melhor piña colada da viagem reside aqui!! Servida no abacaxi, é tão boa que parece até uma sobremesa!

Me gusta mucho!!! :-P

Retornando a casa particular fomos nos encantando ainda mais com a cidade iluminada:




Belíssimo interior do Gran teatro de Habana, palco da linda performance do Ballet Nacional de Cuba:


Ainda deu pra pegar um jantar tardio no O Reilly 304 pequeno bar-restaurante que integra um agradável mezanino, arte pelas paredes e boa musica. É bem concorrido e famoso pelos drinks com gin, daiquiris com frutas, além dos seus deliciosos grelhados!! (A ceviche também é muito bem falada, infelizmente, já não havia mais quando chegamos.)



2º Dia:

Como existiam muitos aspectos da vida dos cubanos, da cultura e dos seus pontos turísticos que gostaríamos de nos informar melhor, decidimos fazer um tour particular no dia seguinte.

Então após sermos devidamente alimentados no desayuno tropical na casa particular, encontramos nossa guia para um passeio de algumas horas.


Começamos andando pelas ruas de habana vieja, o antigo centro murado da cidade quando ainda colônia espanhola. Nossa primeira parada foi na Plaza Vieja, a principal do bairro, onde residiam as pessoas mais importantes da colônia e onde aconteciam procissões, execuções e festas. Atualmente, é um dos lugares onde as famílias cubanas legitimamente se reúnem, misturados aos turistas, aproveitando os tantos grupos de musica e bares, como a La Casa de la Cerveza (cervejaria artesanal) e a Camara Oscura, de onde é possível ter uma visão 360º da cidade através de um dispositivo criado com um grande espelho.




A bela praça iluminada e sempre movimentada.


Caminhando pelas ruas da cidade antiga, passamos por uma bodega popular regida pelo governo, onde são disponibilizados produtos de cesta básica de graça para alimentação e higiene das famílias cubanas.

Não é a toa que Habana Vieja ganhou o título de patrimônio da humanidade da Unesco!!


Então chegamos a Plaza de San Francisco, onde está localizada a bela igreja e convento de mesmo nome, construídos no inicio do século 16, a beira do porto, onde hoje esta o terminal marítimo onde chegam cruzeiros.




Caminhando um pouco mais entramos na sombreada Plaza de Armas, a mais antiga da cidade, datada de 1520, logo após a fundação da mesma. Nos tempos da colônia era onde aconteciam treinamentos e paradas militares. Nela esta o Palacio de los Capitanes Generales, belo edifício que serviu de residência aos governadores da colônia e pós independência e onde hoje funciona o Museu da Cidade.



Logo, passamos por um dos pedaços da antiga muralha. Durante a colonização, existiam 7 portões que eram fechados todos os dias as 8 da noite, logo após o tiro de canhão conhecido como cañonazo, o qual acontece até hoje - agora as 9 da noite - em uma cerimônia do outro lado do canal, na Fortaleza de San Carlos de la Cabaña.



Então nos aproximamos ao pedaço do Malecón que dá para o canal de entrada da baia de cuba, de frente para os castelos e fortes que foram instalados a fim de proteger a cidade.


Aqui nossa guia nos contou como era comum, apesar de muito arriscado, a fuga de cubanos pelo mar, em busca da chegada aos estados unidos. Apesar de patrulhas existentes aos redor das duas fronteiras, era comum que usassem somente um barco a remo, um pedaço de algo flutuante qualquer, afim de conseguir a travessia, nas quais - é claro - infelizmente poucos sucediam.

A lei "Pés Secos, Pés Molhados" estabelecia que os migrantes cubanos interceptados no mar fossem devolvidos ao seu país, mas os que chegavam à terra firme, ainda que sem nenhum tipo de visto, podiam permanecer e se beneficiar de mecanismos para obter exílio politico e a residência permanente em território americano. A lei foi abolida por Obama em 2016 e agora cubanos também precisam de visto.


Continuando nosso walking tour, espiamos o interior da Catedral, bonita e um tanto quanto simples, construída em estilo barroco por jesuítas em meados do século 18.

Diz a lenda que os restos mortais de Cristóvão Colombo ficaram por aqui por um tempo.

Na mesma rua está localizada a Bodeguita del Médio, famoso bar que ganhou esse nome simplesmente por ser a única bodega no meio do quarteirão, enquanto o resto ficava em alguma esquina. Rá!

Também frequentado por Hemingway, o local só serve uma bebida, o melhor mojito da cidade até hoje e por somente 5cup (olha que provei muitos hein?! É meu drink favorito na vida!) apesar de ser bem turístico, é imperdível, com uma atmosfera super descontraída e música ao vivo.



Outra peculiaridade do local é que, além de conservar o mesmo balcão e interior até hoje, as paredes externas adjacentes são todas escritas por quem quer deixar sua marca eternizada por ali.

Salud!!!




Passamos pela Paseo de Martí, onde nossa guia nos mostrou mais do cotidiano cubano.

Aos fins-de-semana, é comum ver um grupo de pessoas fazendo negócios imobiliários por ali.

Isso mesmo, como internet ainda não é uma realidade em todas as casas, e não existem classificados para o tal, cada um traz seu cartaz e a compra - ou ate mesmo troca - de residências é negociada ali mesmo!!


Há também uma feira de arte pela larga calçada aos sábados.



De lá fomos ao Museu de La Revolución, imprescindível na visita a Cuba e importantíssimo pra quem quer entender melhor a história do país, repleto de objetos e documentos ligados a revolução de 1959.

Nas paredes de mármore do belo palácio que funcionava como residência e gabinete do general Batista, ainda estão presentes as marcas de bala do dia em que os revolucionários chegaram a Havana para tomar o poder.


É tanto quanto simbólico tal museu, de uma revolução do povo, estar localizado entre as salas do palácio que aspirava riqueza, o qual foi decorado pela Tiffany de Nova York, com seus corredores em mármore e o Salón de los Espejos - em manutenção - réplica da sala dos espelhos do Palácio de Versalhes, na frança.


Estão lá roupas sujas de sangue (isso mesmo) dos combatentes e fragmentos do discurso histórico que Fidel fez quando se defendeu no seu próprio julgamento, anos antes de tomar o poder, quando havia sido preso pelas tropas de Batista, já pelos seus ideais revolucionários.





No anexo - que não tem muros, é aberto para que se veja da rua, com guarda permanente - está uma memorial, onde, numa redoma de vidro fica o Iate Granma, símbolo nacional, utilizado por 82 revolucionários - incluindo Fidel, Che e Raul - para a travessia do México para Cuba. Além de veículos utilizados na tomada de Havana, como o caminhão de entrega de onde eles saíram para o combate no mesmo palácio.




Deixando o museu, pegamos um taxi antigo em direção as áreas de interesse mais afastadas do centro.

Iniciamos pelo Malecón em direção ao bairro de vedado, mais novo, com avenidas largas e muitas mansões agora renovadas que funcionam como hotéis/restaurantes e que foram abandonadas pela burguesia que fugiu do país assim que Fidel tomou poder.

Hasta la vista, baby! :-P




Chegamos a Plaza de la Revolución, um enorme cruzamento descampado, utilizada por Fidel nos discursos ao povo. Abriga um dos mais altos edifícios de Havana, o monumento a Jose Martí, herói da Independência e o famoso mural de Che Guevara em ferro, com os dizeres " Hasta la Victoria Sempre".

Passando pela pomposa 5º avenida, onde funcionam as embaixadas em lindas mansões, chegamos a Fusterlandia, onde José Fuster, um artista especializado em cerâmicas, fez um belíssimo trabalho ao longo de 10 anos, decorando varias ruas e as casas da vizinhança onde mora, um vilarejo simples nos arredores da cidade.



É interessante ver como a decoração das casas foi feita de acordo com as atividades exercidas por cada família, além da presença de murais comemorativos da revolução e mesas de xadrez, um dos passatempos favoritos dos cubanos.





É impressionante a riqueza de detalhes! Infelizmente, chegamos no horário de almoço e a própria casa dele estava fechada. Vá antes das 13hrs ou depois das 14hrs. #ficaadica


Voltando a Vieja, decidimos enfrentar a fila de espera do super descolado bar e restaurante El Chanchulero, são três andares com uma decoração muito legal, um ótimo terraço para drinks e comida boa, bonita e barata!!!



Foi só o tempo de um banho e saímos de novo afim de ver o pôr-do-sol do malecón, precisamente do tradicional Hotel Nacional, que tem um belo terraço para a avenida beira-mar.

Qual não foi minha surpresa (e descontentamento) quando percebemos que nessa parte da cidade o sol ficava pra trás de nós!!! (Era só ter ficado onde já estávamos!) Ou seja, só se vê o sol se pôr, de fato, de Habana Vieja. #ficaadica2

Nada que um mojito e a cor desse céu não resolvessem:


O malecón é realmente um ponto de encontro e socialização dos locais, há sempre famílias, músicos e casais apaixonados sentados na mureta. Não deixe de conferir!


Aproveitamos pra passear em Vedado, espiamos os tantos hotéis da área, a fila do Coppelia, uma sorveteria super famosa que apareceu no filme Morango com Chocolate e querida dos moradores locais que fazem fila pra um dos seus programas favoritos.


As 9.30 entramos em outra fila, dessa vez do bar de Jazz La Zorra y El Cuervo que a essa hora já estava enorme! (abre as 22hrs)

Por sorte conseguimos sentar em uma das ultimas mesas!

3ºDia:

Decidimos sair da zona urbana de Cuba e fomos conhecer Viñales, um pequeno vilarejo há 2hrs e meia/3hrs de carro da capital, conhecida pelas plantações de tabaco e principalmente pela beleza de seu vale, patrimônio da humanidade, formado por limestones (calcário).


Para chegar até lá é possível ir de passeio turístico, ônibus de linha, ou como fizemos, contratando carro com motorista, contato que os Bed and Breakfast normalmente já tem.

Fomos direto ao mirante ter uma visão ampla do vale e logo depois ao mural da pré-história.

Deu pra perceber que eu me apaixonei pela caranga?!



Pois é, o mural é bem impressionante, mas não é pré-histórico!

Foi construído em 1960 e tem 80 metros de altura por 120 de largura, sendo um dos maiores do mundo. Representa o grande processo biológico e arqueológico que aconteceu nesse local, onde viveram tribos aborígenes e onde foram encontrados muitos fósseis.


Logo depois visitamos a Finca Juan Luis, uma bela e rústica plantação de tabaco onde nos foi explicado todo o longo processo de produção artesanal de um charuto. As folhas, que são colhidas manualmente, devem secar por 4 meses e depois um coquetel de mel, limão e canela é borrifado nas folhas que então secam por outros 4/5 meses.

Cada folha tem um nível de sabor, as folhas do meio fazem um charuto mais balanceado, o montecristo. Enquanto as de baixo um mais ameno, chamado de Romeo e Julieta; e as de cima o mais forte, o coíba.



Os charutos também são enrolados manualmente e ao contrário das fábricas, na fazenda é retirado o meio da folha, responsável por conter 98% da nicotina, que causa o vício.


Essa foto é mais uma certeza de que a revolução realmente começou no campo e de que os cubanos são realmente orgulhosos de seus heróis!

Por conta da sua formação rochosa existem muitas cavernas na região, a mais famosa delas é a Cave del Indio, que fica há somente alguns minutos do centre de Viñales, o que faz dela ponto de parada dos muitos ônibus de turismo.


Se der azar como a gente, pode ser que vc chegue a esperar mais de uma hora lá dentro, a fim de conseguir fazer o passeio de barco pelo rio subterrâneo - que dura menos de 5 minutos! - sendo assim, sugiro pular essa caverna e ir direto a Cave San Tomás, um pouco mais afastada, mas simplesmente a segunda maior caverna das américas, com 46km de extensão e visitas guiadas de 2 horas de duração!!


De lá fomos ao local que finalmente fez a visita a Viñales valer a pena!

A finca agroecológica El Paraíso, uma chácara parte-orgânica, um negócio familiar, localizada no alto de uma colina que ilustra perfeitamente o sentido da "Farm to Table" (da fazenda pra mesa).



Não existe menu, são trazidos pra mesa uma sopa e uma infinidade de vegetais, legumes e raízes; além de peixe, porco e frango! O tempero é simples, mas a vista é inesquecível!

Ah, e a piña colada é servida com uma garrafa de rum na mesa, dai voce é quem escolhe o quanto de álcool colocar!!




Ja mencionei que isso tudo custa 10 dólares?! Aham, isso mesmo preço fixo (bebidas a parte)!!

Segure a fome e vá por volta das 2 da tarde, quando a maioria dos ônibus de turismo ja foi embora!


Após o almoço, passamos pela rua principal de vinãles, onde estão algumas opções de estadia e restaurantes. Só havia uma feirinha de "artesanato" com artigos e souvenirs - diretamente vindos da china!!!

E essa praça!!

Uma volta ao tempo pra uma cidade do interior!!

Ps: Ao meu ver, ir a viñales só vale a pena quando se tem mais de um dia ou pernoite, que dê pra fazer outras atividades, como andar a cavalo ou pedalar pelo vale. Se for pra ser esse bate-volta corrido, ganha-se mais explorando outros cantos de Havana!

4º e último dia:


Só nos restavam 3 horas durante a manhã antes de sair pro aeroporto. Podíamos ter visitado o belo e promissor Museu de Belas Artes, podíamos ter ido ao outro lado do canal apreciar a vista da cidade do El Morro , mas decidimos sair sem rumo e explorar o atual centro de Havana, o outro lado da Paseo Martí.

Ta preparado pra enchurrada de fotos?



Na rua Concordia, entre a Aquila e a Galliano, esta o Café Arcangel, otima opção de café-da-manhã num ambiente super descolado.








Ainda passamos pela Fabrica de Tabacos (charuto) Pargatas. (Queria mesmo só comprar uma caixa fofura pra ficar de decoração, mas não rolou!)

Nos arredores da loja fomos abordados por algumas pessoas tentando dar um golpe conhecido de vender cigarro mais barato ou dizendo que a loja em si estava fechada. Dê aquele sorriso e siga em frente!

Foi a única vez que presenciamos alguma pegadinha pra turista, alem disso, Havana nos fez sentir super mega seguros. Andamos por ruelas vazias tarde da noite, com cameras - e caras de gringo e em nenhum momento nos sentimos acuados.


E assim, me despedi de Cuba muito agradecida, não só por ter riscado mais um país dos meus sonhos de viagem, mas também pela viagem no tempo, por essa volta ao passado, ver o desenrolar da história com meus próprios olhos.

Por me desconectar das tecnologias as vezes tão supérfluas e me lembrar que a real beleza está na vida simples. Grata pelos seus heróis que não deixaram Cuba se render à dominação americana, por não ter se tornado uma extensão da terra do Tio Sam - e suas redes de fast food - como tantos outros países do caribe!

Invejosos - ou capitalistas - dirão que era uma ditadura, que falta o básico, que é país de terceiro mundo…

Digo porém que em Cuba ninguém fica sem escola, morre de fome ou ao relento. Nem vive debaixo de ponte ou em favela. Não existem mendigos!

Cuba, apesar de ser uma ilha tão pequena, é uma potência mundial no esporte, com os níveis de saúde e educação mais elevados da América Latina.

"Esta noite milhões de crianças dormirão na rua, mas nenhuma delas é cubana". Fidel Castro

Voltando pra casa, chegamos num país então governado por Trump, numa cidade (que eu amo, não me leve a mal Nova York) mas onde só aumenta o número de viciados, descontentes e moradores de rua. Onde as pessoas são reféns de um ritmo de vida acelerado e vivem conectadas aos seus telefones.

Daí eu me pergunto, quem é que tá atrasado mesmo?

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Para facilitar sua vida:

- Leve euros ou dólares canadenses, pois apesar do dólar ser 1 pra 1cuc, cobram-se 10% de taxa para compra de dólar.

- Troque uma boa quantia de dinheiro já na casa de câmbio do aeroporto, as filas dos bancos na cidade são extensas e os horários pouco flexíveis.

- Normalmente a casa particular ja tem contato de taxi, custa 30cuc do aeroporto pra cidade e na media 25cuc da cidade pro aeroporto (vai entender!)

- Como fazem somente 5 anos que cubanos obtiveram o direito de abrir um estabelecimento, e ainda é difícil conseguir ingredientes, os cardápios são bem simples e os locais mais transados são muito concorridos (isso não quer dizer que sejam caros). É imprescindível fazer reserva com antecedência, à moda antiga, ligando mesmo!

- Havana tem varios hotéis lindos e glamurosos (e caros). Mas se quiser ter uma experiência muito mais legal e real, fique em uma casa particular. Reservar não é uma tarefa muito fácil. É preciso mandar e-mail (ou ligar) pras casas pedindo disponibilidade. Sugiro pesquisar por Bed and Breakfast no TripAdvisor e ir contactando uma a uma. Contacte varias, pois a maioria das vezes demoram até dois dias para dar resposta. Vale a pena, você vai se sentir em casa, pagando entre 35 a 40 dólares por dia, num quarto com banheiro em um lindo casarão colonial.

- Esteja ciente e fique atento ao fato de existirem duas moedas no país, cuc usada pelos locais e cup usada por estrangeiros.

- Internet ainda existe somente em alguns locais, como hotéis internacionais ou praças publicas. A probabilidade de qualquer casa ter wi-fi é quase zero (É disponibilizada pelo governo) ! Pra usar internet nas ruas é preciso comprar um cartão telefônico estilo raspadinha e fazer um login.

O Cartão é da Etecsa, custa 3 dólares com duração de 1 hora, (mas também da pra usar de pouco em pouco). Os locais de compra vão ter uma placa com um E em azul. (alguns na rua Obispo e outro no mesmo quarteirão da Bodeguita del Médio.) E pra saber onde tem sinal, vai ser fácil, de repente você vê um monte de gente sentada nas calçadas usando telefone!!

- Como não há internet nas casas (somente nos hotéis internacionais ou em praças públicas, sendo preciso um cartão de acesso com senha), um guia de viagem é imprescindível e uma boa pesquisa antes de chegar na cidade muito bem vinda, afim de optimizar o seu tempo.

Dica: salve seus locais de interesse num mapa offline no google maps do seu smartphone.

- Sobre escolher o bairro onde ficar: voce provavelmente esta em duvida entre Habana Vieja, Vedado e Habana Centro.

Vieja é parte antiga da cidade, o centro histórico, anteriormente murado. Mas diferente dos maiores centros do mundo, em Havana muitas famílias moram por aqui, o que faz, alem da arquitetura linda, um lugar vivo, a poucas quadras de muitas atrações. Virei fã!!

O Centro é literalmente uma extensão de vieja, seria minha segunda opção.

Vedado é a parte mais afastada e nova, bem arborizada, de avenidas largas (não vai dar pra ir andando para as principais atrações do centro, mas tem opções de restaurantes e vida noturna.)

#Português

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